A Zona de Conforto preocupa. Mas a “Zona de Desconforto” derruba.

Um dos grandes dilemas de carreira de qualquer profissional é a sensação de estar aprendendo menos. Por consequência, evoluindo mais devagar. É o medo de ficar para trás na sua trajetória. Trata-se da temida zona de conforto, que torna seu dia a dia mais previsível e tranquilo por um lado. Mas por outro lado preocupa o futuro profissional, seja na organização em que atua, seja perante o mercado.

É muito importante monitorar o momento em que esta situação passa a incomodar e buscar resolvê-la, através de reciclagem, cursos, movimentações internas ou até mesmo uma ruptura com seu atual empregador.

Mas algo que ninguém comenta e que acomete muita gente, especialmente em momentos de incerteza, é o termo que decidi chamar de “Zona de desconforto”. Aquela sensação de que suas competências não são reconhecidas ou eficazes, associado a uma preocupação excessiva de perder o emprego a qualquer momento.

O cenário econômico atual, além de ter produzido muitos desempregados, produziu um grande número de pessoas que hoje “sobrevivem” nas corporações, desmotivados, preocupados e improdutivos. É a prisão da zona de desconforto. O medo de arriscar e a baixa auto estima tem trazido improdutividade a muitas organizações. Organziações essas que já cortaram na carne e sabem que, se cortarem mais gente, correm o risco de não conseguir repor a posição.

O que fazer neste caso? Parece uma armadilha difícil de escapar. Bem, as dicas deste post vão para quem sempre busco alcançar por aqui: Os profissionais.

Primeiro sempre lembre do que fez você chegar ate aqui. Qualidades que credeciaram você, profissional. Seu mérito. Nenhuma empresa promove ou contrata alguém por pena. Tente recuperar sua auto estima rapidamente.

Em segundo lugar, tente se aproximar de gente positiva. Otimismo neste momento é fundamental. Você renova as esperanças e consegue aprender mais e melhor quando enxerga futuro no que está fazendo.

E, por último, sempre muito importante, mantenha um diálogo franco e aberto com seu gestor. Ele pode também viver um momento difícil na sua função e, conhecer este tipo de desconforto de forma antecipada, pode ajudar este gestor ou gestora a rever a maneira com que a empresa tem reconhecido (ou não reconhecido) seus colaboradores.

Por isso, não tenha medo apenas da zona de conforto, mas principalmente da zona de desconforto. Ela pode drenar rapidamente sua energia e transformar aquela simples desmotivação que a zona de conforto pode causar em uma profunda depressão, de longa e difícil recuperação.

Reverta enquanto há tempo. Depende de você.

https://www.linkedin.com/pulse/zona-de-conforto-preocupa-mas-desconforto-derruba-sergio-sabino?trk=mp-reader-card

 

Recolocação nos tempos de crise: e quando melhorar?

Nestas andanças pela comunidade de RH, ouço muitos recrutadores, que ouvem inúmeros candidatos. Avaliam muitos, entrevistam vários, contratam alguns.

Neste momento do país, muita gente boa está no mercado e, de forma instintiva, aceitam uma redução (dentro do aceitável) para que se reinsiram no mercado rapidamente.  Em muitos casos, em cargos menos representativos quando comparado ao último projeto.

Até aí, tudo bem. Quando as coisas estão difíceis a gente procura minimizar os danos. Afinal, temos nossas responsabilidades e precisamos manter as contas em dia, nossa autoestima, conhecimentos e rede de contatos.

Agora, analisando a sua trajetória e perspectiva para os próximos anos, sabendo onde você pode e quer chegar, pergunto: E quando esse mercado melhorar? E se for rápido?

Novos projetos e investimentos serão reativados. Você, com pouco tempo na nova casa, percebe oportunidades que tem tudo a ver contigo e, claro, pagam aquilo que você gostaria (ou tinha no passado).

Se você chegou até este parágrafo, fez a mesma pergunta que eu: O que fazer então?

Bem, resposta perfeita não existe. O principal é ter sempre uma história muito bem embasada no momento em que buscar estas novas oportunidades tão cedo. Atualmente, os caminhos profissionais funcionam muito mais por “ciclos” do que necessariamente por “tempo de casa”.

Logicamente que, menos de 1 ano em diversas experiências diferentes, em empresas diferentes, pode acender a luz amarela do recrutador.

Isso inviabiliza sua recolocação? De jeito nenhum. Mas, na hora que a pergunta vem (e ela virá), tenha os seus ciclos muito bem desenhados e saiba expô-los com inteligência na conversa com o entrevistador. Bom senso e muita reflexão é fundamental neste momento.

Nesta possível nova corrida por talento, procure antes entender as oportunidades de crescimento interno na empresa que te abraçou neste momento difícil (desde que você perceba que isso é possível).

Caso não veja futuro e veja o atual desafio como transitório, avalie qual seria a melhor hora de fazer seu movimento. Mantenha sua trajetória profissional em linha com suas convicções, habilidades e, principalmente, boas referências.

Jamais abra mão deste patrimônio profissional.

E boa sorte!

E os rótulos (ainda) estragam o recrutamento.

Desde os primórdios da humanidade, nós vivemos em grupo. Somos seres gregários (Que se agregam e vivem em sociedade).

E, todo grupo tem diferenças entre seus membros.  Às vezes muito grandes ( grupo heterogêneo), às vezes menores (um grupo homogêneo). Mas sempre, SEMPRE, as diferenças estão lá.

E conviver com as diferenças sempre foi igualmente difícil para boa parte dos membros destes grupos, que chamamos hoje “sociedade”. Talvez por estas pessoas acreditarem que aqueles que se assemelham ao seu perfil sejam as mais “adequadas” – em uma provável reação instintiva, de defesa. Não sou antropólogo, por isso já adianto tratar-se de uma inferência pessoal.

Em resumo, querer colocar todas as pessoas “no mesmo balaio”, é coisa antiga.

Agora, junte esta informação com outras constatações:

  • O mundo vive hoje um momento muito diferente de todos os que vivemos até agora
  • O advento das redes sociais trouxe a exposição das diferenças (para o bem e para o mal) a um nível que pode comprometer o julgamento das pessoas menos preparadas.
  • O imediatismo das empresas, com a visão que privilegia resultados de curto prazo, que faz os fins justificarem os meios
  • O despreparo e/ou a falta de recurso das estruturas de recrutamento

Tudo isso acelera o prpocesso de “rotulação”. Algo que as gerações anteriores estavam acostumadas em seus pequenos grupos – Escola, Trabalho, Amigos – hoje pode tomar proporções exponenciais e tirar profissionais extremamente qualificados de um processo seletivo, antes mesmo do envio do CV.

A automatização dos processos potencializa esta piora. Estamos sistematizando a rotulação de profissionais.

Uma combinação terrível em uma estrutura de recrutamento é preguiça + despreparo. Isso acaba com a marca empregadora e destrói uma cultura corporativa, que levou décadas para se consolidar.

Não rotule ninguém de véspera. Se o CV tem potencial, faça a entrevista.

Escute as pessoas, interaja de verdade, mergulhe nos seus processos seletivos e nas pessoas que participam deles.

Traga a alma de volta ao recrutamento.

Boa sorte.

Qual o papel do trabalho na sua vida?

Originalmente produzido por Sergio Sabino em:

https://www.linkedin.com/pulse/qual-o-papel-do-trabalho-na-sua-vida-sergio-sabino?trk=prof-post

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“O trabalho enobrece o homem”.  Quem nunca ouviu esta célebre frase de Max Weber? Ele já refletia sobre o que o trabalho representa na vida das pessoas, no final do século 19.

E a palavra em si já gerava divergências com relação à percepção das pessoas:

  • Trabalho em Português ou Travail em Francês, por exemplo, derivam do Latim “Tripalium”= Instrumento de tortura rudimentar.
  • Já a palavra “Work”(inglês) ou “Werk” (alemão), que derivam do Grego “érgon / ergasia”, tem o sentido de “agir / ação”

A etimologia das palavras explicam um pouco como cada povo encara sua relação com o trabalho, mas claro que, em pleno século 21, não pode ser tomada como verdade. Muita coisa mudou desde a revolução industrial.

Ainda assim, as pessoas tem variadas percepções sobre o trabalho e isso pode, em certa escala, definir o seu caminho:

  • Muita gente encara o trabalho como um meio para obter recursos para viver. E entendem que, quanto mais trabalho, mais recursos. E isso as move.
  • Outros entendem o trabalho como fazer algo que ama e que o retorno financeiro sobre isso é consequencia, mas não a finalidade principal.
  • Ainda para outros, trabalho de fato é uma trotura (como muitos já traduziam no século 19). Um mal necessário e a melhor hora do dia é quando ele acaba.

Aqui fica um recado. Algo que ninguém pode fazer inteiramente por você:

  • Defina primeiramente o que é “sucesso”para você. Aqui é importante dizer que “sucesso” é igualmente um conceito totalmente subjetivo. Cada um de nós tem sua visão e assim deve ser.

O importante é entender que sucesso não é ficar rico, não é trabalhar de graça em algo que ama. E muito menos não trabalhar. Sucesso é ter equilíbrio em tudo.

Ache sua relação com o trabalho e não o torne seu controlador. E nem o contrário.  Ache o espaço do trabalho em sua vida e organize todos os seus papéis, para que ele não seja o culpado por todos os seus problemas. Por que ele não é. Você é. Não fuja das suas responsabilidades.

E boa sorte.

Recrutamento – Como não ser Commodity?

É inegável que, nos últimos 20 anos, o setor recrutamento ganhou sofisticação.

Segmentação em especialidades, setores e níveis hierárquicos, ferramentas para otimizar a entrega de short-lists (As famosas listas de finalistas), entre outros. Sempre no nobre intuito de reduzir o tempo e o custo dos processos.

Juntamente com a sofisticação, naturalmente, veio a competição. Hoje, as opções de ferramentas, empresas, soluções e tecnologias para recrutamento se proliferam e acabam por causar uma grande confusão entre os clientes (Via de regra os RHs), em virtude deste excesso de oferta.

Como consequência desta percepção de “commoditização”, as organizações muitas vezes optam pela internalização, o que não garante o melhor uso dos recursos humanos, muito menos financeiros, além de enfraquecer o setor.

Enfim, como administrar este paradoxo? Um setor que se sofisticou, se preparou… e se tornou comum! Muitos amigos do setor me perguntam:

– Como me diferenciar neste mar de novos entrantes, daquelas empresas que juram que podem resolver todos os seus problemas?  

A discussão é longa, mas aqui talvez tenhamos bom começo:

  • As empresas do setor precisam se posicionar melhor. Marketing para a ampla maioria delas é algo pouco explorado, muitas vezes por medo de investir. É necessário dizer ao mercado, com clareza, no que você é bom. Isso, por um simples motivo: ninguém é bom em tudo. E, se você não se posiciona, cai na vala comum. Aí, passará a vida brigando por preço.
  • Repense a experiência dos candidatos com os quais você interage, antes de pensar em como vai tratar a empresa que te paga a conta. Parece óbvio, mas quem consegue proporcionar uma experiência inesquecível a candidatos terá a atenção dos RHs e naturalmente você se diferencia e terá mais clientes ao seu lado.
  • Perca o medo e promova seu cliente final junto a seus candidatos. A marca empregadora é a mais efetiva ferramenta de atração do candidato e o fator definitivo de decisão em aceitar uma proposta. Venda a empresa que você atende adequadamente.  Sua rejeição a ofertas vai cair, assim como seu retrabalho.
  • Mantenha o relacionamento visando o longo prazo. Nada é pior para o RH do que receber um prestador de serviço diferente da sua empresa a cada 30 dias. Retomar do zero uma série de aspectos traz a sensação de baixo comprometimento e faz com que você seja preterido em futuras demandas. Conhecer teu parceiro, sua cultura e valores, é inprescindível. Seja parceiro de verdade do teu cliente.

Enfim, ainda há muito para evoluir. É um setor fascinante e apaixonante. Mas isso não pode impedir seu crescimento e profissionalização. Acredito que o caminho é positivo, mas temos que pensar mais nos próximos 5 anos dele e não apenas no fechamento do trimestre.

É hora de rever os processos, procedimentos e atuação. Prepare o setor para a retomada da economia e boa sorte!

Qual a sua estratégia para voltar ao mercado?

O cenário de “bonança” econômica vivido até alguns anos atrás inseriu no mercado de trabalho profissionais sem uma lembrança vívida do que é viver sob tempos (longos) de crise. O emprego era estável, o profissional era sempre assediado por outras empresas, a economia crescia.

Só que agora a realidade é outra e fomos obrigados pelas circunstâncias a “apertarmos os cintos”. Nos dias de hoje é fácil imaginar que seu chefe pode, um dia qualquer, te chamar numa sala reservada e, em alguns minutos, sua vida virar de cabeça para baixo: você está desempregado.

Muitas vezes acreditamos que estamos preparados para este momento. Mas, no geral, os profissionais não têm nem um cv atualizado ou um networking ativo. Então, se você não se preparou para este momento, há muito que fazer.

Vamos lá, mão na massa! Primeiro, pense qual impressão o seu CV causa a quem o recebe. Ele realmente reflete o que você sabe fazer? Antes de enviá-lo a algum recrutador, compartilhe-o com pessoas que conhecem o seu trabalho e veja se elas te reconhecem pela descrição dos objetivos, experiências, desafios conquistados, habilidades e conhecimentos. E ai faça ajustes necessários. Aproveitando, um CV não deve ter mais que duas páginas e, por favor, revise mil vezes para que não tenha erros de português.

A seguir, vem o dilema “para que vagas me candidato?”.  Busque aquelas que reúnam no job description atividades que você gosta e saiba fazer. Claro que se preocupar se a vaga tem a sua senioridade é importante, mas em tempos de adversidade, o bom senso deve imperar ainda mais.

Nesse momento, lembramos também da importância de abordar amigos ou contatos profissionais. Mas como fazer isso sem parecer interesseiro? Networking tem que ser contínuo, esteja você empregado ou não. Se você se deixou engolir pelas atividades do último empregador (sim, aquele que te demitiu!), você tem que, primeiramente, assimilar um importante aprendizado: networking é uma missão permanente e não apenas quando estamos desempregados.

O ideal é começar de forma polida. Chame para um almoço, reabra as conversas de forma amena, sem exigir favores de início. O papo, aos poucos, ganha naturalidade e segue o rumo esperado. Agora, com os amigos mais chegados e de confiança, se abra e fale diretamente que está procurando novos desafios. Eles te entenderão e poderão ajudar mais rapidamente do que pessoas que pouco te conhecem. Lembre principalmente de pessoas que já trabalharam com você. Ah, evite posts públicos de autoajuda e “mendigando” vagas em redes sociais. É pouco efetivo e pode jogar contra. Preserve a reputação acima de tudo.

Ok, agora vamos para a etapa mais esperada: a entrevista. Aqui o maior desafio é passar a impressão adequada, vender bem suas habilidades e não perder a oportunidade. A primeira dica é agir da forma mais natural possível. Ou seja, não lute contra quem você é! Mentira sobre sua personalidade só dificulta as coisas. Headhunters pegam isso no ar.

E mostre energia! Estar desempregado não é crime, nem doença. Seja claro nas razões de sua saída e mostre interesse na vaga apresentada, fazendo perguntas e mostrando que você também estudou sobre a empresa.

Conte sobre suas passagens profissionais, mostrando as transições de forma transparente, bem como os resultados conquistados em cada uma delas. Se venda!

E, depois, controle a ansiedade. Não ligue no dia seguinte. As empresas estão decidindo de forma muito lenta e o próprio recrutador pode não saber muitas novidades também.

Por último, não desista! Voltar ao mercado está duas vezes mais demorado do que estava antes. Antes em média em uns quatro meses a maioria conseguia se recolocar. Agora está complicado para todo mundo, inclusive os profissionais mais qualificados.

Concentre-se, desenhe sua estratégia e vá à luta. Boa sorte!