A Cultura Corporativa é o que mata a Cultura Corporativa.

Situação comum, em muitas empresas:

Você, uma pessoa razoavelmente senior, encontra o CEO da tua empresa no elevador. Você aperta o 17º e ouve um pedido: – “Aperta o 18º por favor?”

Este momento que pode mudar a sua carreira. Para o bem ou para o mal.

Na posição que ocupa, o “chefão” sabe que após aquele seu cumprimento tímido, deve tomar a iniciativa se quiser levar adiante o papo.

Ele também reconhece que não consegue acompanhar o pulso da empresa como gostaria e enxerga nestes pequenos encontros a possibilidade de minimizar o risco de perder o conhecimento sobre a cultura da companhia que lidera.

Então pergunta, com o elevador ainda no 2º. Andar:

– “Quais são os nossos pontos fortes para reter e atrair os bons profissionais, na sua opinião?. E no que temos que melhorar?”

Pronto, se fez o caos. Não há saída. E a porta vai abrir em alguns segundos. Em teoria, é algo que não levaria poucos segundos para responder.

E por que não a resposta não vem?

  • As organizações se preocupam em posicionar a marca empregadora em momentos de maior pressão por retenção. E na hora errada, tudo tende a ser feito com pressa, sem planejamento, para satisfazer os anseios e urgências de um pedido emocionado.
  • Este posicionamento raso acaba sendo comunicado pelos mesmos canais ineficientes e não passa a fazer parte do dia a dia, do cotidiano, da CULTURA organizacional. Fadado ao mesmo fracasso.

Sem uma reflexão profunda sobre quem a empresa é como empregadora e sem um trabalho consistente de revisão prática dos canais e dos pontos de contato dos colaboradores, este assunto se mantém puramente cenográfico.

Gestores fingem que se preocupam com a cultura corporativa, começam muitas frente se não fecham nenhuma. Satisfazem apenas o CEO na reunião de follow-up.

A sensação de enxugar gelo do RH só aumenta.

A porta do elevador abre.

Você sai, constrangido, refém de uma cultura corporativa que na verdade não preza a própria cultura corporativa.

Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência.

Sergio Sabino é Country Manager da TMP Worldwide no Brasil

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